IR E ESTAR EM TAIZÉ… UMA VIAGEM AO INTERIOR DE CADA UM DE NÓS

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IR E ESTAR EM TAIZÉ… UMA VIAGEM AO INTERIOR DE CADA UM DE NÓS

Entre os dias 18 e 26 de fevereiro de 2023, um grupo de 54 alunos e 4 professores deslocou-se a Taizé, naquela que é já uma iniciativa de grande envergadura da disciplina de EMRC em Portugal e em que se promove um  encontro com jovens de várias dioceses do mundo naquela localidade de França. Eu também fui. Os jovens portugueses eram cerca de 1000, vindos das Dioceses de Viseu, Aveiro, Santarém e Coimbra.

De outras partes do mundo havia cerca de 950 pessoas, quase na sua totalidade jovens de diferentes países, em particular, da França, Holanda, Espanha, Alemanha e Estados Unidos. Todas as orações e grupos de reflexão previam uma tradução em língua portuguesa, o que permitiu uma rápida adaptação dos alunos às tarefas e dinâmicas previstas.

O ritmo de vida em Taizé estabelece um autêntico choque civilizacional na experiência dos jovens que ali vão pela primeira vez. (Ver fotos da atividade)

Deixam de ter um quarto só para si e passam a ter de partilhar uma camarata para 6 ou 8 pessoas, onde apenas existem as camas em beliche e um suporte para arrumar as malas.  Todos comem utilizando apenas uma tigela ou um prato e uma colher. Os serviços da comunidade são distribuídos de forma a que todos participem de tarefas que asseguram as condições de vida em comum: limpar as casas de banho, cozinhar, distribuir as refeições, lavar a loiça…Ao longo do dia, o tempo distribui-se entre 3 momentos de oração, um de manhã, antes do pequeno-almoço, um antes do almoço e um após o jantar. Quando se alimenta o corpo também se alimenta o espírito.  Existem, também, reflexões de manhã e à tarde, com partilhas em pequeno e grande grupo. A dinâmica das reflexões é  enquadrada por um dos irmãos que vive na comunidade, em Inglês, com tradução simultânea para as línguas nacionais em pequenos grupos. Os professores que acompanham os alunos, servem de mediadores das reflexões e atividades em pequenos grupos. Aí se pode comprovar a energia, a criatividade e a profundidade dos jovens e das suas preocupações.  Estas dinâmicas deixam ainda muito tempo livre para passear pelas aldeias em torno de Taizé e conviver com jovens de outras partes do mundo e assim ser construtores de uma paz ativa assente no diálogo e no reconhecimento de uma humanidade comum. O que os jovens experimentam é verdadeiramente transformador porque ali compreendem que a felicidade não depende dos bens materiais; ali cada um só precisa de se apresentar como é, abrindo o coração para aceitar a diferença e a diversidade linguística, cultural e religiosa. Taizé foi construída para ser um lugar onde se pode experimentar como seria o mundo se fosse um lugar de paz, fazer a experiência do serviço simples e comunitário aos outros, aprender a viver, a trabalhar e a rezar em conjunto. Para além desta enorme lição de comunhão na simplicidade, os momentos de oração são, sem dúvida o ponto alto da construção da unidade entre todos. Neles se encontram e participam pessoas de diferentes confissões religiosas e até pessoas que não pertencem a um credo religioso. Há lugar para todos e a oração, o silêncio e a música permitem que se passe rapidamente de um estado de dispersão a um estado de meditação e profundo amor a todas as coisas, às pessoas e a Deus, ou à transcendência. Nesse movimento, que cura as profundezas da alma, todos podem tomar parte e todos se podem encontrar mais a si mesmos, organizar o seu estado interior, experimentar a paz e a misericórdia de que tanto necessitamos. Grata pelo privilégio de poder vivenciar esta experiência, considero de uma enorme riqueza a oportunidade que foi dada aos alunos de Sátão de integrar na sua vida grandes valores humanistas como a amizade, unidade, serviço, respeito, acolhimento, simplicidade e verdade.

Helena Castro, Diretora do Agrupamento de Escolas de Sátão